Embustes do Lorde: The Last Will and Testament of Rosalind Leigh (2012)

Eu, que tenho uma preguiça crescente da maior parte da produção do cinema de horror atual (com honrosas exceções - na maioria não americanas, claro), não podia deixar de chamar a atenção para essa pequena e pouco conhecida pérola canadense: The Last Will And Testament Of Rosalind Leigh, de Rodrigo Gudiño.

O que ela tem de especial? Simplesmente a ousadia (ao menos hoje é meio que uma ousadia) de, ao invés de apostar na trama, na narrativa, apostar na atmosfera e na beleza das imagens para conduzir o espectador por uma situação de mistério e melancolia gótica que não se deseja explicar (e nem deve).

A história pouco ou nada importa, o que acontece está além da compreensão do protagonista e do público. Tudo o que importa é uma noite de solidão fora do tempo, se permitir ser sugado pelas sombras, pelos reentrâncias, perscrutar cada centímetro da tela em busca do que pode ou não estar lá.

Deixar-se levar pela tristeza na voz da lendária Vanessa Redgrave, tão presente em sua ausência.

Talvez seja entrega demais para se exigir dos "consumidores" de cinema por aí, sejam críticos ou leigos.

Pela internet afora quase que só encontrei comentários impacientes e agressivos, exigindo do filme (e do cineasta estreante) coisas que, a meu ver, ele não se propôs a fazer, como uma história "coerente" e "acontecimentos" bem evidentes (marcados por movimentos de câmera bruscos e explosões de áudio, talvez?).

Enfim... críticas que mal podiam ser chamadas de críticas, pareciam mais resmungos.

Um conselho? Aproximem-se sós (ou com companhias bem escolhidas) desarmados e pacientes... a noite, claro... e que a única luz provenha da tela...

E durmam com os anjos.


Os Embustes do Lorde não são críticas ou resenhas, são pensamentos livres e ligeiros sobre filmes, livros, quadrinhos, teatro, enfim, temas diversos relacionados ao universo do horror gótico e do fantástico old school, tentando seguir o princípio de, preferencialmente, destacar o que merece ser (mais) conhecido e/ou revisto e omitir o que não merece e/ou já é conhecido até demais.

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