Embustes do Lorde: Incubus (1966)

Incubus, de Leslie Stevens, é um filme único e fascinante.

Começa por ser um dos raríssimos filmes falados em esperanto, a famosa linguagem universal criada por Ludwik Lejzer Zamenhof em 1887, o que contribui muito para sua aura exótica, mas não pára por aí.

Essa belíssima e poética história de súcubus e incubus atormentando mortais num povoado atemporal é cercada de circunstâncias estranhas que contribuem para sua fama de "filme maldito".

Por acidente o negativo original foi destruído e durante décadas o filme foi considerado perdido, até que uma cópia foi encontrada na cinemateca francesa (por isso todas as cópias disponíveis tem legendas em francês fixas na tela, muitas vezes cobertas por tarjas em inglês, dependendo do realese).

Boa parte do elenco foi vítima de algum tipo de tragédia pouco tempo depois das filmagens, com a notável exceção de William Shatner, que menos de um ano depois tornou-se o lendário Capitão Kirk, em Jornada nas Estrelas (a não ser que você conte isso como tragédia), além de numerosas coincidências que fazem eco com a temática ocultista do roteiro.

Tudo isso contribuiu para torna-lo um filme de culto. Alguns fãs mais exaltados chegam a afirmar que o filme é, de fato, um ritual de invocação, que se o espectador acreditar no diabo e assistir o filme com a intenção consciente de invoca-lo, o dito cujo aparecerá (comigo até agora não rolou, devo estar fazendo algo errado).


Porém, independente de tudo isso, o fato é que "Incubus" é um dos filmes de horror mais interessantes já produzidos nos EUA e talvez valha muito mais a pena render-se à sua beleza do que meramente usa-lo como um recurso pra invocar o demonho.


Os Embustes do Lorde não são críticas ou resenhas, são pensamentos livres e ligeiros sobre filmes, livros, quadrinhos, teatro, enfim, temas diversos relacionados ao universo do horror gótico e do fantástico old school, tentando seguir o princípio de, preferencialmente, destacar o que merece ser (mais) conhecido e/ou revisto e omitir o que não merece e/ou já é conhecido até demais.

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