segunda-feira, 3 de junho de 2019

Apontamentos do Lorde - Bloco 1

Na minha conta do Instagram, sob a tag #ApontamentosDoLorde, costumo publicar textos breves e rápidos a respeito de filmes, livros e quadrinhos dentro do universo do fantástico old school que me parecem interessantes de ser destacados, mas que não chegariam a dar margem para longos e detalhados artigos. Diferente da camisa de força do twitter, a limitação de caracteres do Instagram é até bastante razoável para exercitar uma escrita mais enxuta e objetiva, perfeita para pensamentos livres, "apontamentos" de fato. Periodicamente os textos mais antigos de lá serão trazidos para o blog, para resgata-los da peculiar tendência ao esquecimento das redes sociais. 😉








#ApontamentosDoLorde: "A Bruxa que Veio do Mar" (1976) começa a chamar a atenção numa certa cena ainda bem no começo, quando a protagonista vivida por #MilliePerkins seduz, embriaga e amarra na cama dois musculosos jogadores de futebol americano, num jogo fetichista que terminará com uma aflitiva combinação de gilete e tendão de aquiles. Mas não é a violência que surpreende, até aí é o de menos, mas sim a extremamente rara (não só no cinema de horror, mas nas artes em geral) objetificação dos corpos masculinos e viris no papel de vítimas sexys. Se fossem duas belas mulheres amarradas uma a outra na cama prestes a serem assassinadas com requintes de crueldade e elaborada mise en scene estaríamos confortavelmente instalados em terreno mais do que familiar (no mínimo desde a "Filosofia da Composição" de #EdgarAllanPoe) mas é impressionante - e revelador - constatar o quão desconcertante essa "simples" inversão acaba sendo. A sequencia inteira parece se tornar mais tensa, mais desconfortável, mas não só isso, torna-se estranhamente constrangedora, no limiar do patético, bem próxima do ridículo, ainda que (por mais contraditório que isso soe) jamais perca sua força, fascínio e mesmo sex appeal. Por que isso? Boa pergunta, não é? Por que? De qualquer forma, mesmo que no restante da projeção o filme acabe tendo que cumprir certos pré-requisitos comerciais do exploitation setentista, essa cena sozinha já bastaria pra colocar a triste e extremamente humana história de Molly um patamar acima da exploração pura e simples das misérias humanas, lhe conquistando um lugarzinho discreto, mas não desprezível, entre os mais interessantes serial killers do cinema. #TheWitchWhoCameFromTheSea (1976), de #MattCimber #culthorror #americanhorror #vintagehorror #weirdhorror #serialkillers #exploitation
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#ApontamentosDoLorde: #DellamorteDellamore (1994) não é um filme de horror no sentido usual da palavra, mas sim uma estranha e surreal comédia de humor negro. Talvez uma melhor classificação fosse "realismo fantástico" ou "realismo mágico". Baseado no romance de #TizianoSclavi, criador de #DylanDog, o filme tem uma trama episódica e progressivamente mais delirante. Os mortos caminham e, aparentemente, ninguém acha estranho. Os fogos-fátuos deslizam pelo ar com naturalidade enquanto Francesco Dellamorte tenta encontrar o amor em meio aos túmulos e a rotina de enterrar e abater os mortos (nessa ordem), sem se dar conta de que, talvez, sua ideia de amor seja ainda mais absurda e irreal do que o mundo fantástico que o cerca. Um filme engraçado e triste, ocasionalmente angustiante, onde cada mudança de cena te pega de surpresa com uma nova imagem surreal de estranha beleza. Talvez seja um dos mais refinados filmes do fantástico italiano... e encerra com chave de ouro toda uma era. Mesmo que ainda sejam produzidos alguns filmes de horror na Itália até hoje nada se compara ao que o gênero foi para o cinema italiano dos anos 60, 70 e 80. Como Francesco Dellamorte, #MicheleSoavi executou dignamente seu papel de coveiro de toda uma forma de fazer cinema... sem deixar de derramar uma lágrima quando apertou o gatilho, sete dias depois da última pá de terra. ;) Art by #DavidHartman #RupertEverett #FrançoisHadjiLazaro #TizianoSclavi #gothichorror #italiangothic #italiangothichorror #italianzombies #italiancinema #vintageposters #vintagehorror #vintagegothic
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#ApontamentosDoLorde: Provavelmente ninguém aqui conhece #TheNorlissTapes. Eu mesmo nunca tinha ouvido falar até que surgiu uma legenda no #OpenSubtitles e resolvi conferir porque não resisto a esses telefilmes setentistas de horror. Segundo o #Wikipedia e o #IMDb trata-se de um dos trocentos pilotos de seriado do período que não deram em nada, acabando por ser exibido como um filme stand alone, embora deixe um gancho explícito para uma continuação que nunca foi feita. Como obra é morno mas não desinteressante, tem aquela pegada charmosa de "detetive do oculto" pé no chão, cheio de referências a ocultismo "real", algo bem em moda no período. Mas o que me deixou curioso foram os bastidores. #TheNorlissTapes foi produzido e dirigido por #DanCurtis, figura emblemática do horror americano televisivo, responsável por nada menos que a #SoupOpera macabra #DarkShadows (1969) e os telefilmes #TheNightStalker (1972) e #TheNightStrangler (1973) que deram origem ao cultuado "repórter do sobrenatural" #CarlKolchak. E é aí que fica interessante: #TheNorlissTapes foi lançado em 1973, mesmo ano do segundo filme de #Kolchak. Até hoje é motivo de especulação por que Curtis ficou de fora quando a #ABC decidiu abortar os planos para um terceiro filme em prol da produção do (não tão bem sucedido) seriado #KolchakTheNightStalker de 1974. A escassez de informações oficiais (lembro que nem mesmo #StephenKing conseguiu uma resposta satisfatória em sua pesquisa para o livro #DanceMacabre) tem forte cheiro de treta feia nos bastidores. Teria Curtis pulado fora ou sido afastado pela #ABC por conta das famosas "divergências criativas"? Seria #TheNorlissTapes sua tentativa (a toque de caixa) de criar na #NBC uma série concorrente com a mesma temática, por despeito ou mesmo para reaproveitar ideias originalmente pensadas para o velho #Kolchak? O fato é que a história do investigador do oculto #DavidNorliss, vivido pelo astro de #TheInvaders, #RoyThinnes, é MUITO parecida com as duas aventuras originais de #Kolchak. Mesmo estilo, mesma pegada, mesma abordagem e poderia, quem sabe, ter se tornado uma série até superior a #KolchakTheNightStalker, mas, enfim, nunca vamos saber, né? ;)
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