terça-feira, 22 de junho de 2021

E pra não dizer que nunca falei de novela...



A essa altura da vida acho que dá pra dizer com um razoável grau de certeza que eu NUNCA vou assistir a versão original de Dark Shadows. E não só porque a probabilidade de alguém legendar os 1225 episódios da série seja algo da ordem do inimaginável, mas acima de tudo porque... bem, porque SÃO 1225 episódios, oras!😱 Volta e meia até bate aquele apelo por um negócio tão deliciosamente nonsense quanto uma soap opera gótica DIÁRIA que literalmente tomou de assalto as donas de casa desavisadas e adolescentes entediados voltando do colégio nos finais de tarde da TV aberta americana entre os anos de 1966 e 1971, mas aí basta uma espiadinha de leve num torrent de 128 giga pra gente cair na real de novo.😅 O lance é se contentar com os dois longa-metragens para o cinema que o criador da série, Dan Curtis, produziu e dirigiu enquanto a soap opera ainda estava no ar, por mais que a experiência não seja exatamente a mesma com os dois personagens mais populares estranhamente estrelando filmes separados. House of Dark Shadows (Nas Sombras da Noite), de 1970, meio que condensa (e, suspeito, simplifica) vários dos arcos de história centrados na figura do vampiro Barnabas Collins de Jonathan Frid, enquanto que Night of Dark Shadows (Maldição das Sombras), de 1971, desenvolve uma versão alternativa para sua amante/inimiga Angelique Bouchard, a deslumbrante feiticeira vivida por Lara Parker. Em ambos os filmes a gente fica um pouco com a sensação de estar caindo de paraquedas no meio de uma história já em andamento, não tanto pelas lacunas no roteiro, mas porque Curtis não se dá muito ao trabalho de gastar tempo (re)introduzindo personagens na época em pleno auge de seu sucesso televisivo. Mas passado esse estranhamento inicial é difícil para um fã de horror gótico não se encantar com tanta beleza e esquisitice. Ao contrário do remake engraçadão de 2012, o que mais chama a atenção aqui é a absoluta seriedade com que essas duas produções encaram a abordagem gótica, abraçando o macabro, a grandiloquência e o melodrama mórbido (e, por tabela, claro, a cafonice) sem o menor pudor ou medo do ridículo. Pode até não funcionar sempre, mas é muito mais marcante (e digno) do que o filminho inofensivo do Tim Burton.😉



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