segunda-feira, 3 de junho de 2019

As "Franquias" da Hammer Films: Barão Frankenstein

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Embora seja indiscutível que a mais famosa e popular "franquia" da Hammer Films seja a do Conde Drácula de Christopher Lee, em termos críticos e mesmo históricos nada chega perto da importância e da qualidade da série de sete filmes do Barão Frankenstein de Peter Cushing, lançados entre 1957 e 1974. Pra começo de conversa, foi com The Curse of Frankenstein que a Hammer iniciou sua revolução no cinema de horror mundial, resgatando a temática sobrenatural e as inspirações na literatura gótica britânica que permaneciam mais ou menos dormentes desde o fim do Ciclo de Monstros da Universal no final dos anos 40, deixando bem para trás os insetos gigantes e os invasores alienígenas da ficção científica americana e as abordagens paranoicas da Guerra Fria que marcaram os anos 50. Não que não tenha rolado precursores dentro da própria Hammer que meio que foram fazendo a transição entre o scifi e o gótico, como a série do Professor Quatermass e alguns filmes notáveis como O Abominável Homem da Neve, mas foi com The Curse of Frankenstein que o estúdio finalmente meteu os pés no peito, não só com o primeiro filme de horror britânico produzido em cores, como também pelas ousadas sequencias de gore, choque e humor perverso. Com o lançamento de Drácula já no ano seguinte, a Hammer se fundamentou como sinônimo de horror durante toda a década de 60 e boa parte dos anos 70.

Peter Cushing, o grande cavalheiro do horror.
Mas para além do pioneirismo, a série Frankenstein sempre pareceu uma espécie de xodó para o estúdio. Enquanto Drácula trocava de diretor e oscilava de qualidade filme após filme (ainda que numa média mais do que digna), quase todos os filmes do Barão foram dirigidos pelo melhor e mais importante diretor do período áureo da Hammer, Terence Fisher, o que propiciava uma admirável coerência estética e temática em meio às diferentes abordagens de cada roteiro (embora, como veremos, coerência cronológica estivesse longe de ser uma preocupação), sem mencionar, claro, que Peter Cushing tinha muito mais oportunidade de usar as várias facetas de seu talento como Barão Frankenstein do que Christopher Lee como Drácula (que, somando tudo, aparecia relativamente pouco nos seus próprios filmes). Tudo isso contribuiu para uma qualidade geral altíssima em toda a série, cujas particularidades filme a filme, de acordo com meu ponto de vista, tentarei comentar no decorrer desse singelo artigo.

Apontamentos do Lorde - Bloco 1

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Na minha conta do Instagram, sob a tag #ApontamentosDoLorde, costumo publicar textos breves e rápidos a respeito de filmes, livros e quadrinhos dentro do universo do fantástico old school que me parecem interessantes de ser destacados, mas que não chegariam a dar margem para longos e detalhados artigos. Diferente da camisa de força do twitter, a limitação de caracteres do Instagram é até bastante razoável para exercitar uma escrita mais enxuta e objetiva, perfeita para pensamentos livres, "apontamentos" de fato. Periodicamente os textos mais antigos de lá serão trazidos para o blog, para resgata-los da peculiar tendência ao esquecimento das redes sociais. 😉

sábado, 23 de março de 2019

Supernatural (1977): A Série Clássica de Horror Gótico da BBC

7 comentários:
Não é para descobrir justamente essa sensação que vocês, cavalheiros, vêm aqui para este Clube dos Condenados? Não é esse o horror supremo que procuram? O frisson de algo pior que a própria morte, pior até do que o medo da morte?
Em algum lugar da Inglaterra, muito provavelmente Londres, numa aristocrática mansão de aspecto vitoriano, cavalheiros idosos e elegantes se reúnem numa sala lúgubre escassamente iluminada por candelabros bruxulheantes, mal permitindo vislumbres dos rostos uns dos outros e dos detalhes um tanto perturbadores da decoração (seria um pentagrama o que aqueles padrões traçados no assoalho queriam expressar?). Todos aguardam para ouvir histórias através da madrugada. Histórias de horror, naturalmente. Mais do que isso: histórias "reais" de horror, narradas por aspirantes à afiliação no Clube dos Condenados. Se a história for suficientemente hedionda, se conseguir inspirar terror nos corações decrépitos dos veteranos connoisseurs do macabro, o candidato será aceito nas fileiras do clube e poderá estar presente quando uma nova história for contada. Entretanto, se na opinião de apenas um dos membros, o candidato fracassar... a pena é a morte. Deveras inconveniente se, por acaso, o cavalheiro em questão ainda pertence ao mundo dos vivos...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

As "Franquias" da Hammer Films: Conde Drácula

2 comentários:
A vida toda ouvi pessoas dizerem: "hoje em dia não se cria nada de novo no cinema de horror, só tem continuações". No começo se referiam aos intermináveis "Sexta-Feira 13" e "A Hora do Pesadelo", depois a "Jogos Mortais" e agora não é nada incomum ouvir algo parecido em relação a "Invocação do Mal", "Annabelle" e por aí vai. Dá pra entender, mas é meio injusto porque desde que o cinema existe o horror SEMPRE abusou das continuações. Os próprios Drácula com Bela Lugosi e Frankenstein com Boris Karloff que, para todos os efeitos, inauguraram o gênero em 1931, não só tiveram várias continuações cada um como até desembocaram numa série de crossovers no final dos anos 40 (ou achava que "Freddy X Jason", "Alien X Predador" e universos compartilhados tinham algo de novidade?). Antes de repetir o clichê de "hoje em dia só tem continuação" lembre-se sempre que "voltar da morte" está nas entranhas do gênero, para o bem ou para o mal. Em algum momento do final dos anos 80 lembro de ter lido num desses almanaques de vídeo que "Freddy Krueger nada mais era do que o Drácula dessa geração" e é bem isso.

Imagem síntese de "Dracula 1972 AD",
sétimo filme da série.
Mas uma coisa é fato: os anos 80 e 90 extrapolaram na repetição exaustiva de ideias simplórias demais até para um único filme, quanto mais dúzias. Foram sequencias e mais sequencias sem maiores ambições senão repetir ad nauseum os mesmos plots dos filmes originais, com, no máximo, algum acréscimo de grana para efeitos. Nesse ponto, não há comparação possível entre um Jason da vida e as longas séries que a Hammer Films produziu nos anos 60 e 70. Sem a menor dúvida a Hammer foi uma empresa sem o menor pudor em explorar até o limite aquilo que hoje chamamos de "franquias". Foram NOVE filmes de Drácula, SETE do Barão Frankenstein, quatro da Múmia, três de Carmilla, sem contar as séries menores como She, Quatermass ou as infames Cave Girls. Mas mesmo que a principal motivação fosse (como sempre é) pura e simplesmente grana, as continuações da Hammer não podiam de modo algum ser taxadas como mera repetição das fórmulas dos filmes originais. Há um surpreendente frescor de originalidade na abordagem de cada roteiro que chega quase a se sobrepôr (e até contrapôr) à necessidade primária de dar continuidade às tramas. As mudanças de foco e variações inusitadas levam cada filme a ter uma identidade muito particular, com seus próprios temas e abordagens, não raro até contraditórios entre si, o que pode ser exasperante para o típico fã de "universos compartilhados" de hoje em dia, obcecado por cronologia e coerência interna, mas que pra mim torna cada um desses filmes interessante e provocativo por si só, de uma forma que nenhuma "franquia" interminável dos anos 80 e 90 jamais conseguiu (ou, sendo justo, sequer tentou).

Para refletir um bocadinho sobre isso dou início a uma série de textos sobre as principais franquias da Hammer, começando pela mais longa e mais conhecida, o Drácula de Christopher Lee. Não se trata de "críticas", o que mais tem na internet são resenhas de todos os tipos para cada um desses filmes. O que farei aqui são algumas observações pessoais de fã passional para fã passional, tentando destacar alguns pontos que me parecem interessantes e, talvez, não tão mencionados. Sigamos, então, pela ordem...