segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

As "Franquias" da Hammer Films: Conde Drácula

A vida toda ouvi pessoas dizerem: "hoje em dia não se cria nada de novo no cinema de horror, só tem continuações". No começo se referiam aos intermináveis "Sexta-Feira 13" e "A Hora do Pesadelo", depois a "Jogos Mortais" e agora não é nada incomum ouvir algo parecido em relação a "Invocação do Mal", "Annabelle" e por aí vai. Dá pra entender, mas é meio injusto porque desde que o cinema existe o horror SEMPRE abusou das continuações. Os próprios Drácula com Bela Lugosi e Frankenstein com Boris Karloff que, para todos os efeitos, inauguraram o gênero em 1931, não só tiveram várias continuações cada um como até desembocaram numa série de crossovers no final dos anos 40 (ou achava que "Freddy X Jason", "Alien X Predador" e universos compartilhados tinham algo de novidade?). Antes de repetir o clichê de "hoje em dia só tem continuação" lembre-se sempre que "voltar da morte" está nas entranhas do gênero, para o bem ou para o mal. Em algum momento do final dos anos 80 lembro de ter lido num desses almanaques de vídeo que "Freddy Krueger nada mais era do que o Drácula dessa geração" e é bem isso.

Imagem síntese de "Dracula 1972 AD",
sétimo filme da série.
Mas uma coisa é fato: os anos 80 e 90 extrapolaram na repetição exaustiva de ideias simplórias demais até para um único filme, quanto mais dúzias. Foram sequencias e mais sequencias sem maiores ambições senão repetir ad nauseum os mesmos plots dos filmes originais, com, no máximo, algum acréscimo de grana para efeitos. Nesse ponto, não há comparação possível entre um Jason da vida e as longas séries que a Hammer Films produziu nos anos 60 e 70. Sem a menor dúvida a Hammer foi uma empresa sem o menor pudor em explorar até o limite aquilo que hoje chamamos de "franquias". Foram NOVE filmes de Drácula, SETE do Barão Frankenstein, quatro da Múmia, três de Carmilla, sem contar as séries menores como She, Quatermass ou as infames Cave Girls. Mas mesmo que a principal motivação fosse (como sempre é) pura e simplesmente grana, as continuações da Hammer não podiam de modo algum ser taxadas como mera repetição das fórmulas dos filmes originais. Há um surpreendente frescor de originalidade na abordagem de cada roteiro que chega quase a se sobrepôr (e até contrapôr) à necessidade primária de dar continuidade às tramas. As mudanças de foco e variações inusitadas levam cada filme a ter uma identidade muito particular, com seus próprios temas e abordagens, não raro até contraditórios entre si, o que pode ser exasperante para o típico fã de "universos compartilhados" de hoje em dia, obcecado por cronologia e coerência interna, mas que pra mim torna cada um desses filmes interessante e provocativo por si só, de uma forma que nenhuma "franquia" interminável dos anos 80 e 90 jamais conseguiu (ou, sendo justo, sequer tentou).

Para refletir um bocadinho sobre isso dou início a uma série de textos sobre as principais franquias da Hammer, começando pela mais longa e mais conhecida, o Drácula de Christopher Lee. Não se trata de "críticas", o que mais tem na internet são resenhas de todos os tipos para cada um desses filmes. O que farei aqui são algumas observações pessoais de fã passional para fã passional, tentando destacar alguns pontos que me parecem interessantes e, talvez, não tão mencionados. Sigamos, então, pela ordem...

1958: Dracula AKA Horror of Dracula
(O Vampiro da Noite)
Direção: Terence Fisher
Roteiro: Jimmy Sangster

Tem muita coisa que as pessoas acham que sabem sobre os filmes da Hammer antes mesmo de vê-los, principalmente por conta de alguns chavões que se convencionou repetir em artigos e matérias sobre cinema de horror em geral. Um desses chavões é a suposta fidelidade aos clássicos da literatura gótica britânica. Não é raro que a Hammer seja citada como um exemplo de respeito aos cânones sempre que alguém quer criticar adaptações mais moderninhas como, sei lá, aquela seriado do Drácula que ninguém viu (alguém lembra?). É bem irônica essa fama, já que desde o começo a Hammer nunca fez a menor questão de ser fiel aos enredos de nenhuma de suas adaptações literárias, muito pelo contrário, parecia haver uma intenção consciente de "sacudir" a poeira dos clássicos e criar roteiros mais orientados à ação e ao choque, virando os livros de ponta cabeça sem o menor pudor. A principal preocupação do roteirista Jimmy Sangster ao adaptar o romance de Stoker era dar um jeito para que a "ação vampírica" pudesse acontecer o mais rápido possível, sem perda de tempo, mantendo a platéia eletrizada do início ao fim. Daí toda a "dança das cadeiras" com os personagens do livro mudando de papéis e relações, o encurtamento das distâncias e a simplificada geral nos acontecimentos de modo a obter um filme acelerado (para os padrões da época, claro) e enxuto com menos de 90 minutos (aliás, se a Hammer tiver três filmes com 100 minutos é muito).

Peter Cushing, um dos mais icônicos Van Helsings da história do cinema.
O fato desse ser o primeiro filme de vampiros a cores é bem conhecido, mas curiosamente as pessoas ainda se surpreendem ao saber que nunca antes na história do cinema as presas de um vampiro haviam aparecido em tela! Esse ponto por si só pode dar uma ideia do impacto que Christopher Lee provocou em 1958 e manter isso em mente ajuda bastante a apreciação do filme para o público de hoje. Tente imaginar, ao rodar o vídeo abaixo, que você nunca viu os dentes de um vampiro antes, que tudo o que já viu foi Bela Lugosi envolvendo a vítima com a capa, deixando para a sua imaginação o que viria depois. Agora note como Terence Fisher constrói a cena de modo a revelar muito lentamente os dentes de Valerie Gaunt em close, aproximando-se do pescoço de John Van Eyssen. Imagine os olhos dos espectadores de 1958 pouco a pouco se arregalando diante da revelação dessa imagem, a respiração suspensa, mal acreditando no que estão vendo, até que numa absoluta e inesperada convulsão de horror a câmera corta para a boca ensanguentada e sibilante de Christopher Lee! Percebe agora como a Hammer não estava de brincadeira ao entrar de sola no mercado do cinema de horror? 😉


O filme é repleto de ideias visuais inusitadas que, claro, hoje em dia se tornaram clichês. Desde o sangue vermelho berrante que respinga sobre o caixão já nos créditos de abertura até o antológico momento em que Peter Cushing junta dois castiçais para obter uma cruz diante do espantado vampiro. Outras ideias já não me parecem funcionar tão bem e talvez não por acaso foram abandonadas nos filmes posteriores, como as insinuações pseudocientíficas de Van Helsing de que o vampirismo seria uma espécie de doença e que as transformações em lobos e morcegos não são mais que folclore (Drácula virou morcego trocentas vezes nas continuações sem a menor cerimônia, mas lobo, pelo visto, continuou um pouco acima dos orçamentos da Hammer). Também me parece prejudicar um pouco o filme, por estranho que isso soe para um purista, um certo "lastro" com o livro original, uma hesitação entre manter ou não manter personagens e acontecimentos do romance, o que torna o enredo um tanto desajeitado em alguns momentos. Pra mim, quando a Hammer se "libertou" de vez de qualquer obrigação para com os livros, os filmes se tornaram bem mais interessantes (tanto na série "Drácula" quanto em "Frankentein").

O que importa é que funcione!
Em outras palavras: sim, estou dizendo que gosto bem mais das continuações do que das "estreias", obviamente sem desmerecer a forma como Horror of Dracula e The Curse of Frankenstein arrebentaram fronteiras e revitalizaram o horror gótico depois de anos e anos de dormência, desde o final da era de ouro da Universal. Mas talvez pelo próprio pioneirismo, esses filmes só tinham condições de ir até certo ponto, primeiro abrindo as portas e apontando novos caminhos para, aí sim, os filmes seguintes se verem livres para trilha-los com mais desenvoltura e ousadia. Nesse sentido é que são, sem dúvida, clássicos. O Conde Drácula diabolicamente sedutor de Lee e o Barão Frankenstein charmosamente inescrupuloso de Cushing tinham muito mais potencial para, digamos, uma continuidade criativa do que boa parte das franquias que acabariam surgindo no cinema de horror das décadas posteriores. E não demorou nada para que a Hammer começasse a explorar essas possibilidades... mesmo que com alguns percalços pelo caminho...




1959: Brides of Dracula
(As Noivas do Vampiro AKA As Noivas de Drácula)
Direção: Terence Fisher
Roteiro: Jimmy Sangster, Peter Bryan, Edward Percy, Anthony Hinds

A necessidade, como dizem, é a mãe da invenção. O sucesso estrondoso de Drácula tornava imperativa a produção de uma continuação o mais rápido possível. Mas, ao contrário da série Frankenstein, aqui a Hammer tinha um pequeno problema técnico: o tio Christopher Lee não estava mais interessado em continuar sendo o "monstro" do estúdio. Acho perfeitamente compreensível, pra ser bem sincero. Até esse ponto Lee tinha feito o monstro de Frankenstein, Drácula e a Múmia e estava de saco cheio de usar maquiagem pesada e se machucar nas cenas de ação (tinha recentemente deslocado o ombro ao derrubar uma porta cenográfica e dado um jeito nas costas carregando a atriz Yvonne Furneaux no pântano em A Múmia), sem contar o medo bastante compreensível de ficar estigmatizado como o "ator dos monstros".

A heroína Yvonne Monlaur e a desvairada feiticeira Freda Jackson.
Assim, para não perder o timing, a Hammer apelou para o sempre ponta firme Peter Cushing, tornando Van Helsing o elemento de continuidade entre os dois filmes. Assim, a primeira continuação da série Drácula acabou sendo feita... sem Drácula. Claro que isso é mais que suficiente para qualquer um torcer o nariz, mas eu afirmo categoricamente: Brides of Dracula é um dos meus filmes favoritos não só da série como da Hammer em geral, compensando a ausência de Lee com um verdadeiro show de ideias inusitadas e imagens deslumbrantes numa trama completamente livre do "lastro" do romance original a que me referia anteriormente e, se o roteiro tem lá seus furos e incoerências, pouco importa diante de tamanha beleza gótica. 💓

Andree Melly, icônica mesmo com poucos minutos em cena.
Nem todo mundo concorda comigo, claro. O principal ponto dos detratores é que o Barão Meinster não chega a impressionar como o arqui-vampiro da vez. Concordo em parte, de fato David Peel não tem a imponência de Lee, mas sua performance é perfeitamente adequada para a premissa de um "filhinho de papai" vampiro, o herdeiro indolente e egoísta dos senhores feudais do passado, que acaba se tornando incontrolável até mesmo para seus tutores, algo bem dentro da tradição simbólica da imagem do vampiro na literatura e cinema góticos. Independente disso, sempre chamo a atenção para o fato de que o título do filme, afinal, é BRIDES of Dracula! Se por um lado é meio propaganda enganosa, por outro são de fato as mulheres que dominam essa história, não pelo roteiro, mas pelo impactante desempenho de suas intérpretes. Peel pode não ser lá muito memorável, mas a cena de sua figura sendo avistada da sacada por Yvonne Monlaur sem dúvida é um dos momentos mais marcantes da história da Hammer. Bem como as performances arrebatadoras de Martita Hunt como a Baronesa Meinster e, acima de tudo, Freda Jackson como a desvairada Greta, com suas gargalhadas absurdas e impressionante presença de cena. E, claro, não dá pra esquecer de Andree Melly que, mesmo com pouco tempo em cena, tornou-se uma das vampiras mais deslumbrantes e icônicas da história do cinema de horror.

Freda Jackson desperta os mortos.
E, por fim, temos Cushing num desempenho ainda mais empolgante do que no primeiro filme. Pode parecer bizarro para o público de hoje, mas o fato é que nessa época o Van Helsing de Cushing era pra todos os efeitos um "herói de ação", na melhor tradição dos "detetives do oculto" da literatura pulp, com direito a uma verdadeira aula de sobrevivência em caso de mordida de vampiro e uma inacreditável sequencia final que sempre me faz vibrar como criança! Pena que Cushing só voltaria para a série nos anos 70, não mais interpretando o Van Helsing desses dois primeiros filmes, mas sim um descendente do heroico professor. Ao contrário das reportagens superficiais sobre a Hammer que sempre falam dos "eternos confrontos entre Drácula e Van Helsing", o fato é que Cushing e Lee só atuaram juntos em três dos nove filmes e apenas no primeiro Drácula efetivamente enfrentou o Van Helsing original, o que (admito) é mesmo um grande desperdício sobre o qual falarei melhor mais tarde. 😐




1966: Dracula, Prince of Darkness
(Drácula, o Príncipe das Trevas)
Direção: Terence Fisher
Roteiro: Jimmy Sangster, Anthony Hinds

A reticência de Lee em retornar ao personagem que o consagrou durou longos oito anos, durante os quais teve muitas oportunidades de diversificar seus papéis dentro e fora da Hammer (me delicio particularmente com sua performance de bon vivant em The Two Faces of Dr. Jekyll, que foi de fato um dos seus papéis favoritos). Talvez por isso, mais as ditas "chantagens emocionais" que afirmava que a Hammer fazia com ele ("se você não topar fazer olha quantos profissionais vão ficar sem trabalho!") e, possivelmente, a consciência de que o mercado de cinema de baixo orçamento nunca foi estável o bastante para permitir o luxo de dispensar jobs indefinidamente, acabou por fim cedendo e topando vestir a capa novamente. E que bom que o fez: Prince of Darkness é sem dúvida meu filme favorito de toda a série e um dos melhores filmes da Hammer em toda a trajetória do estúdio.

Andrew Keir impondo respeito como Padre Sandor.
Muito mais do que em Horror of Dracula, eu diria que foi aqui que a persona de Lee como o conde se estabeleceu de vez. Uma criatura feita de puro mal, completamente incapaz de qualquer tipo de empatia ou de realizar qualquer ação que não seja a mais vil e mesquinha, um ser movido única e exclusivamente por caprichos, desejos e impulsos, como uma criança egomaníaca dotada de poder suficiente para fazer valer suas vontades. A ideia do vampiro não pronunciar uma única palavra o filme todo, expressando-se apenas por sibilos e interjeições (Lee afirma que os diálogos eram péssimos demais para serem ditos, Jimmy Sangster jura que o roteiro já não tinha diálogos, escolham a versão que mais lhes agrada 😉) reforça ainda mais essa presença dominadora e autoritária pela própria impossibilidade de comunicação ou mesmo de identificação. O Drácula de Lee é um dos monstros mais absolutos da história do cinema de horror e é triste que esse aspecto tantas vezes seja confundido com superficialidade, especialmente depois do advento do modelo de vampiro a la Anne Rice.

Barbara Shelley, figura emblemática do cinema de horror britânico.
O fato desse Drácula estar inserido numa trama que é uma verdadeira aula de arquétipos góticos (quase como no impecável Danza Macabra, de Antonio Margheriti) só torna tudo ainda mais efetivo e delicioso. Como em Brides, a liberdade de nem precisar fingir seguir os elementos do livro (que, ainda assim, até acabam aparecendo aqui e ali, como na extraordinária cena do "batismo de sangue" do lobby card acima) traz um frescor muito bem vindo ao filme, abrindo ainda mais possibilidades para que a série prosseguisse com uma voz própria, talvez nem sempre com ideias bem sucedidas, mas sem dúvida interessantes, por mais que o próprio Lee fosse o primeiro a se aborrecer com a falta de fidelidade aos textos de Stoker. A ausência de Cushing (que aparece apenas no flashback no prólogo) é bastante sentida, mas a presença imponente de Andrew Keir como Padre Sandor ocupa tranquilamente o vazio deixado pelo velho Van Helsing.


Por fim, não posso deixar de mencionar o incrível triunfo técnico da lendária cena da ressurreição de Drácula (a primeira de muitas, veja no vídeo acima). Sei que as vezes exagero nos superlativos, mas até hoje ainda me impressiona assistir Lee literalmente se materializando diante de nossos olhos num único plano sem cortes perceptíveis, tomando forma camada por camada de ossos, músculos e pele, emergindo de um lodaçal de sangue, num dos mais extraordinários usos da técnica de sobreposição de imagens que o cinema de horror já produziu. Apenas "Hellraiser" conseguiria um resultado mais impressionante com uma cena tematicamente similar, mas com o uso de uma variedade bem maior de técnicas de animatrônica e maquiagem. Nada mal para uma produtora de baixo orçamento dos anos 60, não é? 😉




1968: Dracula Has Risen from the Grave
(Drácula, o Perfil do Diabo)
Direção: Freddie Francis
Roteiro: Anthony Hinds

A primeira curiosidade a se dizer sobre Dracula Has Risen from the Grave (que título mais auto-explicativo, não?) é que é o filme favorito de Tim Burton da série. E é bem fácil entender o motivo, basta olhar as maravilhosas mate paintings nas cenas em que os personagens caminham pelos telhados da vila durante a noite. A Hammer, bem na tradição do estilo gótico em geral, sempre preferiu a beleza imagética do que o mero realismo, e com um diretor como Freddie Francis que, antes de tudo, era um grande fotógrafo, essa qualidade de conto de fadas sinistro pôde se mostrar com ainda mais força. Dracula Has Risen from the Grave é o filme mais caleidoscópico da série, um show de cores primárias e cenários de sonho que compensam tranquilamente a trama já um tanto menos empolgante.

Uma amostra das deslumbrantes mate paintings
que encantaram Tim Burton.
Pela primeira vez Drácula deixa para trás seu "lugar de poder" para perseguir um bispo que ousou selar a entrada do castelo com uma gigantesca cruz abençoada. Aqui você poderia dizer, com toda razão, que bastaria ordenar ao servo humano para tirar a cruz de lá, como o conde chegou a fazer inúmeras vezes em outras ocasiões. Essa é uma forma de encarar esse ponto do roteiro, sem dúvida, mas acho mais interessante ver isso como mais uma evidenciação da egomania quase infantil do vampiro. Sua fixação em se vingar é tão descontrolada que a ideia sequer lhe passa pela cabeça, por mais que a perseguição o leve a se colocar constantemente em risco, tendo que esconder seu caixão em esconderijos improvisados e depender cada vez mais de escravos humanos. Sempre achei interessante a questão da vulnerabilidade das criaturas sobrenaturais na ficção gótica, particularmente no cinema. Ainda que tenham poderes que os mortais não possuem, vampiros são absurdamente vulneráveis às coisas mais prosaicas, como alho, crucifixos, a necessidade de dormir na terra de suas sepulturas, regidos pro leis muito mais incontornáveis do que as leis naturais que ousaram burlar. Por mais que pareçam poderosos, sua existência não-natural é frágil como a chama de uma vela, algo que por si só convida a certas reflexões...

O mal em cores primárias e caleidoscópicas.
Mas, independente das peripécias narrativas, o tema central que parece se destacar nesse quarto episódio é a fé. De um lado temos o herói da vez que, por ser ateu, não consegue enfrentar o vampiro porque os símbolos cristãos simplesmente não funcionam em suas mãos. Por outro lado temos também um padre que certamente é um homem de fé, mas fraco demais para sustenta-la diante do mojo dominador de Drácula e acaba se tornando seu servo. É na trajetória desses dois personagens opostos que o filme se sustenta, de um lado na descoberta da fé em algo maior do que si mesmo (o ateu que, afinal, encontra a prova da existência de Deus na figura do monstro sobrenatural) e a redescoberta da fé em si mesmo de que o padre necessita para quebrar o domínio do vampiro. Claro que não devemos esperar aqui um tratado sobre esses temas tão complexos mas, junto ao requinte estético, o tema empresta uma identidade singular ao filme no contexto da série que, nesse ponto, sem dúvida precisava de mais do que apenas trazer novamente Drácula de volta do túmulo. O filme seguinte seria ainda mais bem sucedido nessa tarefa.




1970: Taste the Blood of Dracula
(O Sangue de Drácula)
Direção: Peter Sasdy
Roteiro: Anthony Hinds

Depois de tantos anos resistindo a voltar ao papel, em 1970 o tio Lee aparentemente resolveu ligar o "foda-se". Não só topou fazer dois filmes no mesmo ano com a Hammer como foi pra Alemanha interpretar uma versão mais fiel do livro com o diretor espanhol Jesus Franco. E ainda achou tempo para vestir a capa numa comédia dirigida por Jerry Lewis(!) ironicamente chamada One More Time! 😶 Quem diria, não? Na verdade não é tão difícil de entender. Nessa época a Hammer já entrava na sua fase dita como "decadente", sofrendo com a concorrência do ascendente e furioso horror americano setentista que acabaria por enterrar o estúdio poucos anos depois. Não era hora de ser seletivo, por mais que Lee detestasse os roteiros cada vez mais distantes das palavras de Stoker. Suponho que aceitar estrelar o filme de Franco foi sua tentativa de provar pra Hammer que tinha razão. Segundo Lee, El Conde Dracula foi "um filme problemático por uma série de razões", mas lhe permitiu ser o único ator a interpretar Drácula exatamente da forma descrita no livro: um velho aristocrata com cabelo e bigode brancos, vestido inteiramente de preto sem o menor sinal de cor. E é verdade.

Anthony Higgins e Linda Hayden, o poder da juventude.
Mas se você não for tão purista quanto o velho tio Lee, encontrará muitas qualidades nesse quinto exemplar da série. De fato, Taste the Blood of Dracula é um dos meus favoritos. Não que eu teime em defende-lo numa análise crítica mais fria frente aos muito superiores três filmes iniciais dirigidos por Fisher, mas, sem dúvida, é uma produção com identidade própria e um tema de fundo que a torna particularmente marcante: os pecados dos pais assombrando as vidas dos filhos.

Geoffrey Keen, Peter Sallis e John Carson são três cavalheiros hipócritas. Sabe os típicos homens héteros, cis, brancos e ricos, no mais puro estilo topzera vitoriano? Por aí. Daqueles que impõem ferrenhamente um moralismo castrador sobre o desabrochar da sexualidade de seus filhos (e, particularmente, filhas) ao mesmo tempo em que satisfazem sua própria luxúria nos bordéis de luxo da cidade, justificando os gastos como doações pra obras de caridade. Típicos cidadãos de bem. Até que, numa dessas noitadas, particularmente entediados com os hedonismos de rotina, acabam inadvertidamente invocando Drácula e provocando sua ira ao extrapolar todos os limites num improvisado e dantesco ritual ocultista.

Linda Hayden e Isla Blair tocando o
terror nos seus velhos.
Mas o monstro não se vinga dos velhos burgueses diretamente, mas sim através de seus filhos, corrompendo-os e tornando-os ferramentas sádicas para atormentar os próprios progenitores. Mais do que nunca a persona de Lee como uma espécie de imagem arquetípica do mal se mostra efetiva. Drácula basicamente se torna uma encarnação viva da influência nefasta dos mais velhos maculando a pureza da juventude. E quando falo em pureza, não quero dizer no sentido "pudico" ou "celibatário", afinal tudo o que os jovens queriam era a liberdade de se curtirem livremente sem as interdições hipócritas dos pais. Numa pegada bem de acordo com os movimentos sociais da época, o filme se coloca numa posição de defesa da sexualidade livre, saudável e "orientada pelo amor" dos jovens em relação a devassidão predatória regida por relações de poder e dinheiro dos "cavalheiros" da alta sociedade.

É um plot surpreendentemente atípico pra Hammer que, no geral, sempre teve uma abordagem bem mais conservadora (compare com The Devil Rides Out, com sua "juventude perdida" sendo constantemente salva das "más companhias" satanistas por elegantes e sábios aristocratas). Nesse sentido, Taste the Blood of Dracula acaba sendo uma das tentativas mais interessantes de "modernização" do estúdio, por mais irregular que seja o resultado final. O roteiro originalmente nem fazia parte da série, mas acabou sendo adaptado para incluir Drácula (e também Ralph Bates, que a Hammer planejava transformar num novo astro na época) o que talvez explique as inconsistências que vão surgindo conforme o filme se aproxima do terceiro ato. Só podemos especular qual teria sido o resultado se o roteiro tivesse sido produzido da forma como foi inicialmente planejado mas, levando tudo em conta, gosto bastante de ver a figura de Lee nesse papel de "símbolo autoritário corruptor da juventude" e, sem dúvida, essa premissa ajudou e muito a enriquecer a série como um todo.



1970: Scars of Dracula
(O Conde Drácula)
Direção: Roy Ward Baker
Roteiro: Anthony Hinds

Pra quem acha que reboots são coisas de hoje em dia, a dobradinha Scars of Dracula e Horror of Frankenstein foi uma tentativa frustrada da Hammer de reiniciar suas mais longevas franquias numa bela sessão dupla (como podem notar no lobby card acima). A ideia era, basicamente, ignorar os filmes anteriores e criar um ponto de entrada para novos espectadores, mas "Scars" foi um tanto tímido nesse objetivo. Enquanto Horror of Frankenstein ousou trocar Peter Cushing por Ralph Bates (que, como disse, estava em pleno processo de tentativa de construção de estrelato) e efetivamente recomeçar a história do zero, Scars parece fazer justamente o oposto. A presença marcante de Lee não permite que o público se desconecte do passado da série e a "nova" situação estabelecida, com Drácula de volta ao seu castelo nos Cárpatos (com direito até a algumas falas pinçadas de Stoker para deixar o tio mais feliz) torna inevitável a sensação de deja vu. De todos os filmes da série, "Scars" é que o mais parece com o padrão de continuações a que nos acostumamos dos anos 80 em diante, uma mera repetição de ideias já usadas com um acréscimo de violência e gore, diminuição da sutileza e, pela primeira vez na série, até um bocadinho de nudez feminina (pra lá de gratuita, claro).

Jenny Hanley como a mocinha da vez.
"Scars" é o mais violento de todos os filmes da série, as vezes de forma um tanto exagerada dado o contexto de alguns trechos iniciais da história. O Drácula surpreendentemente cavalheiro que recebe suas vítimas no castelo se transforma rápido demais na figura monstruosa dos filmes anteriores sem que a nova persona tenha tempo de dizer a que veio. No fim das contas, o filme depende demais do que aprendemos antes para de fato funcionar como um reinício e a própria Hammer deve ter percebido isso no processo pois incluiu um prólogo improvisado na última hora no qual um morcego ressuscita Drácula dando uma cuspidinha de sangue em suas cinzas. É, pois é, eu sei, também me dá vergonha alheia e olha que eu sou bonzinho. 😶

Somando tudo, só não considero esse o mais fraco dos filmes da série porque ele tem um concorrente de peso lá no final sobre o qual falo daqui a pouco. Além disso há alguns grandes momentos isolados, como o ataque dos morcegos à igreja, o aprisionamento do herói da vez na câmara selada do vampiro (que só é acessível através de uma janela sobre um abismo pela qual Drácula entra e sai rastejando pela parede assim como no livro) e a intensa performance do eterno Doctor Who, Patrick Troughton, como o atormentado servo de Drácula (que ainda assim não consegue ser tão marcante quanto Philip Latham em Prince of Darkness). Sem contar a sempre presente finesse da Hammer que segura as pontas até nos pouquíssimos filmes realmente ruins do estúdio. Comparado com as porcarias produzidas a rodo na época e até hoje, Scars of Dracula definitivamente não faz feio, mas lhe falta um tema claro que lhe empreste uma identidade própria como nos filmes anteriores, um senso de propósito para além da mera necessidade de seguir com a franquia. Aí tudo o que resta é mais do mesmo, com um bocadinho a mais de apelação.




1972: Dracula A.D. 1972
(Drácula no Mundo da Minissaia)
Direção: Alan Gibson
Roteiro: Don Houghton

Drácula no Mundo da Minissaia não é o melhor título que você já viu? Adoro! É sério, não me olhe assim, adoro mesmo. 😁

Caroline Munro, talvez a mais icônica das
vítimas de Drácula.
Agora sim, para o bem ou para o mal, a Hammer resolveu dar uma sacudida real na série com uma ideia até óbvia mas em grande medida inevitável: catapultar o lendário conde direto para a Londres do século XX, em plena era do swinging! Ou, talvez mais acuradamente, um bocadinho DEPOIS  da era do swinging, o que foi meio que fatal porque o filme praticamente já estreou datado. Não que isso faça muita diferença quando você o assiste trinta ou quarenta anos depois. Pra mim, Dracula A.D. 1972 é simplesmente uma delícia!

Guardadas as devidas proporções, claro. Ao contrário da série Frankenstein, sem dúvida há uma curva descendente na qualidade geral dos filmes, acentuada a partir de Scars of Dracula. A grande (e justificada) queixa em relação a esse sétimo episódio é sobre uma certa propaganda enganosa. Drácula, na verdade, nunca sai da catedral gótica onde é trazido de volta a vida por um jovem e estiloso aspirante a ocultista num ritual delirante regado a drogas, álcool e música experimental psicodélica, então não o vemos de fato interagir com o mundo do século XX, o que é meio frustrante (décadas depois Jason Takes Manhattan brochou seus fãs de forma parecida, com Jason chegando em Nova York só nos últimos quinze minutos, nem nisso Sexta Feira 13 foi original). Mas, se quer saber, não ligo pra isso. Há recompensas demais para quem se deixar levar pelo "espírito da época". O tal ritual é um verdadeiro tratado histórico de maluquices ocultistas dos anos 70, deliciosamente cafona, over do over, culminando num literal banho de sangue sobre a divertidíssima Caroline Munro, talvez a mais icônica vítima de Drácula de toda a série (a atriz costuma dizer em entrevistas que ver Lee se aproximando lentamente dela no set era uma experiência genuinamente assustadora... e excitante!).

Sem dúvida puxou ao tatatatatavô.
E, acima de tudo, finalmente temos Peter Cushing de volta, tendo a chance de enfrentar Drácula mano a mano pela primeira vez desde 1958! Ok, não é o Van Helsing original de "Horror" e "Brides" e sim seu descendente, mas... ora, diabos, quem tá ligando pros pretextos?! O que importa é ver Cushing e Lee contracenando outra vez como dois dos mais icônicos adversários da história do cinema de horror. No fim, dá pra entender porque a galera erroneamente tende a acreditar que Van Helsing enfrentou o conde durante a série inteira, a presença de Cushing parece tão "certa" que é como se ele nunca tivesse ido embora. De fato há até uma tentativa meio de forçar essa impressão no prólogo. Pela primeira vez a morte de Drácula do filme anterior é solenemente ignorada e o filme abre com um suposto "confronto final entre Lawrence Van Helsing e seu arqui-inimigo" totalmente inédito! Por mais que soe picareta, o retcon acaba funcionando como um reconhecimento por parte da Hammer de que a série desperdiçou o potencial da dupla, que ao menos teria ainda mais um filme para ser melhor compensado.




1973: The Satanic Rites of Dracula AKA Count Dracula and His Vampire Bride
(Os Ritos Satânicos de Drácula)
Direção: Alan Gibson
Roteiro: Don Houghton

The Satanic Rites of Dracula talvez seja o filme mais desprezado da série, a começar pelo próprio Lee, que o considerou a gota d'água para abandonar a capa de vez. E de forma bem melodramática, jurando nunca mais interpretar Drácula novamente. De fato é um filme problemático, com alguns momentos péssimos como a constrangedora cena em que Van Helsing engambela o conde e o faz meter a mão em cima de uma bíblia. Mas, no somatório geral, e com uma revisão mais cuidadosa, essa continuação direta de Dracula A.D. 1972 (MUITO mais direta do que as anteriores, é o único filme da série em que outros personagens além de Drácula e Van Helsing reaparecem, como o detetive vivido por Michael Coles e a neta do professor, interpretada primeiro por Stephanie Beacham e depois por Joanna Lumley) se mostra bastante interessante e em muitos aspectos superior à primeira incursão do vampiro no século XX.

Os "eternos inimigos" que só se encontraram em três filmes.
Pra começo de conversa a queixa de que, no filme anterior, Drácula não interagia com o mundo moderno é largamente compensada aqui. Mais do que interagir, o monstro assimila as idiossincrasias da época a ponto de ressurgir como um grande empreendedor, um poderoso magnata, dono de um império financeiro que, socialmente, equivale a antiga posição de senhor feudal de suas origens aristocráticas. Considerando a persona absolutamente egomaníaca estabelecida na série, o arquétipo do mal, completamente incapaz de qualquer ação que não as mais monstruosas e mesquinhas, a rapidez com que vampiro adquiriu seu império nem sequer causa estranhamento (se te causa, eu diria que não tem muita noção de como o capitalismo realmente funciona).

Pronto para virar a mesa.
Outra queixa (inclusive da parte do próprio Lee) é que Drácula parece mais um vilão de James Bond, com seu plano mirabolante de acabar com a espécie humana com um vírus mortal desenvolvido em laboratório. Admito que soa bizarro, mas a ideia por trás disso tem alguns pontos de interesse. Ao ser questionado sobre a aparente falta de lógica de um plano que, no fim das contas, condenaria os próprios vampiros à morte por falta de vítimas humanas, o Dr. Van Helsing comenta: "Talvez inconscientemente seja o que ele quer, o fim de tudo. Ele foi condenado à imortalidade, uma existência de violência, medo e horror. Suponhamos que queira descansar em paz levando todo o universo com ele, a vingança suprema. Milhões morrendo pela peste, a própria figura da morte. Conde Drácula. É a profecia bíblica que ele quer.". Depois de oito filmes durante quase vinte anos, essa não me parece, de modo algum, uma premissa fraca para um gran finale.

E foi, de fato, o finale. Em muitos sentidos. Mesmo com altos e baixos, "Satanic Rites" fecha com um dos mais memoráveis confrontos entre os lendários inimigos, naquele que acabou sendo o último filme da Hammer com Lee e Cushing trabalhando juntos. Ao lado do muito superior Frankenstein and the Monster of Hell, representa o fim de uma era no cinema de horror. Mas ainda haveria um último suspiro.




1974: The Legend of the 7 Golden Vampires AKA The Seven Brothers Meet Dracula
(A Lenda dos Sete Vampiros)
Direção: Roy Ward Baker, Cheh Chang
Roteiro: Cheh Chang, Don Houghton

Sejamos francos, o único motivo para engolir The Legend of the 7 Golden Vampires como parte da série é a presença de Peter Cushing, mas o filme se sairia muito melhor se seguisse o exemplo de Brides of Dracula e fosse simplesmente uma aventura solo do Prof. Van Helsing (ao que tudo indica o original, já que dessa vez o filme se passa em 1905, ainda que a cronologia não faça o menor sentido). Meter um Drácula genérico (John Forbes-Robertson) substituindo Christopher Lee só para aparecer por alguns minutos no prólogo e no epílogo é muita forçação de barra e acaba criando de cara uma indisposição com os fãs mais devotos. Teria sido mais digno assumir o monge Kah (Shen Chan) como o arqui-vampiro da vez (como o Barão Meinster, em "Brides"), sem toda a pataquada de Drácula precisar "possuir" alguém para deixar o castelo! (tiraram do fiofó essa!).

Melhor um monge vampiro desconhecido do que um Drácula genérico.
É visível o desespero do estúdio pra resgatar ao menos um pouco de sua competitividade meros dois anos antes de encerrar (quase) de vez sua trajetória. Faltou a tia do café (ou tia do chá, no caso) na hora que decidiram fechar uma parceria com os estúdios Shaw Brothers numa tentativa de surfar na onda do kung fu do período, mas surpreendentemente o filme é até bem mais agradável do que se poderia supor. Cortesia do Sr. Cushing, claro, cuja habilidade de fazer soar convincentes até as premissas mais sem noção dificilmente será superada (reparem, em "Satanic Rites", a naturalidade com que entrega um carregadíssimo texto expositivo sobre ocultismo e magia negra enquanto caminha tranquilamente pela sala oferecendo charutos para os convidados). Obviamente a trama não demora a abandonar o horror e se assumir como filme de ação, o que acaba combinando com o Van Helsing destemido de Cushing que, afinal, sempre teve seus momentos a la Indiana Jones. Não deixa de ser divertido.

Especialidade: parecer convincente em qualquer circunstância.
Ainda assim, por mais que eu deteste usar a palavra trash (um termo tão abusado que praticamente não significa mais nada), é difícil pensar em outro adjetivo com vampiros de visual mambembe sendo derrotados com golpes de kung fu. E isso no mesmo ano que Michio Yamamoto encerrou sua Bloodthirsty Trilogy demonstrando todo o potencial da junção da estética da Hammer com um contexto oriental. Alguns toques inesperados são até curiosos, como a tentativa de fugir dos esteriótipos com a formação de dois pares românticos inter-raciais (Julie Ege, ao contrário do que se imagina no primeiro ato, acaba ficando com David Chiang, não com Robin Stewart, que, por sua vez, se apaixona por Szu Shih), mas mesmo isso tem um ar meio improvisado, acabando por demonstrar, mais do que qualquer outra coisa, que sempre foi mais fácil lembrar de não parecer racista do que de não parecer sexista (ainda mais levando em conta os diferentes destinos finais de cada casal).

Cavalheiros do Horror.
Enfim, seja como for, assim se encerra uma saga que atravessou toda a história da Hammer e que, com todas as suas idiossincrasias, continua encantando novos fãs pelo mundo todo. No somatório geral, considero a Franquia Drácula inferior à outra grande franquia da Hammer, a série Frankenstein, com Peter Cushing mas, sem a menor dúvida, ainda é absurdamente mais interessante do que quase todas as grandes franquias dos anos 80, por mais que tal constatação machuque minha própria nostalgia de infância. São filmes que parecem crescer na mente e no coração conforme vou envelhecendo, enquanto os Sexta-Feiras 13 e Elms Street da vida parecem encolher cada vez mais. Talvez porque, afinal, mesmo nos seus piores momentos, a Hammer sempre fez filmes de horror para adultos, com seus heróis de meia idade e a valorização da sabedoria em vez da mera esperteza, enquanto os anos 80 estabeleceram de vez o foco adolescente do cinema mainstream que continua firme e forte até hoje. Sempre brinquei dizendo que, quando crescesse, eu queria ser Peter Cushing... e a verdade é que... ainda quero. 😊

2 comentários:

  1. Excelente matéria, essa franquia é a minha favorita da Hammer, gosto muito da saga de Frankenstein também mas Dracula tem um lugarzinho no meu coração.

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