segunda-feira, 9 de julho de 2018

A Tumba de Drácula - A Versão Marvel do Senhor dos Vampiros

O Brasil, como se sabe, sempre teve uma relação muito intensa com a Marvel Comics. Mas, para além dos manjados super heróis, nunca essa relação foi tão íntima quanto com os quadrinhos de terror que a Marvel produziu nos anos 70 aproveitando o relaxamento geral da censura no período, especialmente no que se refere ao título mais celebrado dessa safra clássica: The Tomb of Dracula, de Marv Wolfman e Gene Colan. E quando digo "íntima" não estou brincando. Um leitor do começo dos anos 80, sem internet para se guiar, muitas vezes nem tinha ideia se o Conde Drácula que estava lendo era de fato desenhado por Colan ou por um dos inúmeros artistas brasileiros quase anônimos que faziam parte do staff da Editora Bloch. Ou, se as palavras eram mesmo traduções da escrita de Wolfman ou uma bizarra versão alternativa destinada a disfarçar arcos de história saltados ou referências a outros títulos, uma prática surpreendentemente comum da Editora Abril na época.

"Terror de Drácula", da Editora Abril.
Enfim, se você reclama do mercado de quadrinhos no Brasil de hoje... sabe de nada, inocente. 😉

Mas, quer saber? Apesar dos pesares a gente se divertia e comprava a preço de amendoim torradinho dúzias de revistas em formatinho por mês para acompanhar, do jeito que dava, o melhor que a linha de horror da Marvel podia oferecer. The Tomb of Dracula, Werewolf by Night, The Monster of Frankenstein, Tales of the Zombie, Supernatural Thrillers, Adventure Into Fear, todos esses títulos tiveram parte de seu material lançado no Brasil em revistas como A Tumba de Drácula, Lobisomem, Frankenstein, A Múmia Viva, Aventuras Macabras, Histórias Fantásticas, Sexta-Feira 13, Cine-Mistério, Clássicos do Pavor, todas pela Bloch, sob o lendário selo: Capitão Mistério.

O sucesso foi tão grande que quando perdeu a licença de publicação para a Editora Abril (que rapidamente lançou Terror de Drácula e espalhou outros personagens macabros por suas revistas mix, como o Motoqueiro Fantasma em Heróis da TV ou o Homem Coisa em Superaventuras Marvel), a Bloch não hesitou em dar continuidade às histórias produzindo seu próprio material do conde, emulando o melhor possível a estética adotada por Colan (daí as altas confusões que comentei acima). Apesar da picaretagem, a quantidade de material (se não bom, ao menos interessante) produzido no período é digna de respeito, com destaque para a espantosa (em vários sentidos) revista Capitão Mistério Apresenta que, entre 1982 e 1986, publicou 34 edições com uns bons 90% de histórias de Drácula inteiramente nacionais, muitas vezes trash, mas ocasionalmente surpreendentes, especialmente o material produzido pelo editor Edmundo Rodrigues, responsável, entre outras coisas, por uma belíssima adaptação do romance O Lobisomem de Paris para a edição 20 (até hoje minha favorita).

Vampiros e Kung Fu? Opa, pra Bloch valia
tudo. E se a Hammer pode...¯\_💀_/¯
(Se quiser saber mais sobre esse material da Bloch, recomendo uma passadinha no blog HQ Memória)

Toda essa intimidade obviamente criou uma gigantesca nostalgia pelo Conde Drácula ao estilo Marvel e um desejo muito natural de conhecer esse material na íntegra, na ordem correta, sem  alterações e/ou condensações. Demorou décadas, mas finalmente, a partir de outubro de 2014, a Panini começou a publicar a série original no formato Coleção Histórica Marvel, no caso rebatizada acertadamente para Coleção Marvel Terror. No momento em que escrevo, A Tumba do Drácula (só implico com esse deselegante "DO", "Tumba DE Drácula" soa muito melhor 😠) já passou da metade, com oito volumes publicados, o que já permite uma avaliação crítica e uma resposta para a pergunta que não quer calar: "E aí? Era mesmo tão legal quanto nas nossas memórias nostálgicas?"

A resposta curta? "Ô! Pra caraio!"

Mas claro que, se vocês estão aqui no meu bloguinho verborrágico, é porque querem a resposta longa. Então vamos falar um pouco sobre "A Tumba de Drácula". 😉

Impondo respeito na arte de Gene Colan.
A proposta original da série era dar continuidade ao romance clássico de Bram Stoker num cenário contemporâneo, algo que estava bem em voga em 1972, quando até a Hammer estava catapultando Christopher Lee para o presente com Dracula 1972 AD. Pegando a onda, o editor Roy Thomas e o roteirista Gerry Conway criaram Frank Drake, um descendente direto de Drácula (uma linhagem que só seria melhor explicada bem depois) que herda o castelo da família na Transilvânia sem suspeitar que seu ancestral ainda está lá, repousando no conforto de seu caixão forrado de terra infecta dos cárpatos. Não demora muito até que a estaca que perfurou seu coração no final do livro acabe sendo retirada e, como todo bom conhecedor da tradição vampírica clássica sabe, tirar a estaca do corpo de um vampiro é sempre uma grande cagada.

As primeiras seis edições são uma verdadeira dança das cadeiras, nada menos que três roteiristas se atropelaram em rápida sucessão, Gerry Conway, Archie Goodwin e Gardner Fox, meio que atirando pra todos os lados na tentativa de achar uma linha narrativa consistente, sem muito sucesso. A premissa inicial rapidamente se mostrou limitada, parecia mais apropriada para um one-shot do que para uma série contínua, e Drácula começou a ser meio que jogado numa situação absurda atrás da outra sem nenhuma pausa de respiro, passando por confrontos com feiticeiras, monstros do pântano e até, pasmem, viagens no tempo e interdimensionais! Ainda que personagens importantes tenham sido introduzidos, especialmente Rachel Van Helsing, destemida caçadora de vampiros descendente do Prof. Van Helsing, e Taj Nital, um gigantesco indiano mudo com um trágico passado, os roteiristas parecia não saber direito o que fazer com eles, tanto que Rachel, em meras quatro edições, acabou sendo reduzida a interesse romântico do insosso Drake!

Desde a primeira edição uma estética típica da Hammer Films
se impunha à ambientação contemporânea.
A coisa só não foi tão brochante por um motivo fundamental: a arte de Gene Colan. Quem tem familiaridade com o "Método Marvel de Roteiro", sabe o quão determinantes eram os artistas no processo de criação das histórias, quase sempre trabalhando com argumentos sucintos que só ganhavam diálogos e um roteiro propriamente dito depois que as páginas já estavam inteiramente estruturadas e esboçadas. E, se os roteiristas estavam apanhando pra se encontrar na série, Colan parece ter entendido a proposta imediatamente. Seu Drácula nos toma de assalto como uma titânica encarnação do mal absoluto, deslizando por cenários maravilhosamente góticos num quase despeito pela suposta ideia de realocar o vampiro no mundo contemporâneo. Ou, talvez, como se a presença de Drácula fosse o que realmente afetasse e transfigurasse o mundo moderno, e não o contrário. Os pressupostos da abordagem gótica se impondo sobre a realidade cotidiana dos personagens, como a icônica névoa que vai envolvendo a tudo e a todos.

Os destemidos caçadores de vampiro! Blade, Quincy Harker,
Raquel Van Helsing, Frank Drake e Taj Nital.
Assim, quando Marv Wolfman assumiu os roteiros a partir da sétima edição, já encontrou uma forte estética gótica e uma dinâmica narrativa ao mesmo tempo clássica e moderna sobrepondo-se aos rumos um tanto vagos da trama. De forma rápida (e cuidadosamente discreta), Wolfman foi reconfigurando as bases da série. De cara deixou de lado certas inseguranças do vampiro, que nunca mais demonstrou saudosismo por sua época e muito menos se aventurou em tentativas esdrúxulas de voltar no tempo. Titânico e cheio de determinação, Drácula finca as garras na contemporaneidade sem maiores dúvidas ou hesitações, firme em seu objetivo de espalhar seu domínio macabro sobre o mundo dos vivos, arregimentando servos humanos e criando legiões de novos vampiros. O monstro avança sobre a humanidade como o guerreiro conquistador que foi em vida, perfeitamente adaptado às idiossincrasias do mundo moderno, desaviado apenas pelo conclave de destemidos caçadores de vampiro que Wolfman vai estruturando no decorrer das edições, desde os já presentes Drake, Rachel e Taj até os novíssimos Blade, o Matador de Vampiros (que no futuro seria promovido a protagonista, estrelando a série de filmes com Wesley Snipes) e Quincy Harker, ninguém menos que o filho de Mina e Jonathan Harker, nascido literalmente na última página do livro original! Mesmo velho e preso a uma cadeira de rodas, Quincy continua sendo o mais legítimo herdeiro do Prof. Van Helsing, liderando o grupo numa cruzada ancestral contra o inimigo que enfrentou por toda a sua longa vida.

Vampirismo old school, gótico até a medula.

Peraí, talvez você esteja pensando agora, como assim Quincy Harker enfrentou Drácula por toda a vida se o vampiro estava morto no castelo desde o final do livro? Ah... aí é que está: lembra o que falei sobre Wolfman "discretamente" ir reestruturando a premissa da série? Pois é, isso inclui um retcon bem sacana que o leitor vai se ligando aos poucos mas só é estabelecido de vez na edição 15: a "ressurreição" de Drácula na primeira edição foi apenas uma de muitas. Na verdade o vampirão tem andado por aí tocando o terror, as vezes ganhando e as vezes perdendo de Quincy e seus caçadores, desde a época de Stoker! Wolfman espertamente se ligou do potencial de um protagonista com séculos de idade, com inúmeras possibilidades de flashbacks e de desenvolvimento de uma rica mitologia, onde personagens novos podiam já surgir em cena preenchidos com um longo e intenso background. Apesar de um ou outro furo em relação ao que tinha sido estabelecido nas primeiras seis edições, essa mudança não apenas libertou o potencial da série como abriu as portas para inúmeros spin-offs, como as magazines em P&B (similares à saudosa Espada Selvagem de ConanDracula Lives, que se dedicava justamente a preencher as lacunas do passado sombrio do conde, e Vampire Tales, que trazia histórias solo de Blade, o Caçador de Vampiros e Lilith, a Filha de Drácula, apresentada aos leitores na edição especial Giant-Size Chillers, de 1975, rebatizada Giant-Size Dracula a partir da segunda edição.

A fantástica arte em P&B com toques de cor de
Dracula Lives (que a Bloch insistia em arruinar
com sua paleta de cores randômica).
Aqui no traço de Neal Adams.
Estabelecidas essas bases, Wolfman & Colan basicamente abriram as portas do inferno,  tornando A Tumba de Drácula não só o melhor título da safra clássica de horror da Marvel Comics como um dos mais interessantes quadrinhos mainstream dos anos 70. Ainda que com altos e baixos inevitáveis dentro do ritmo frenético de uma publicação mensal (pessoalmente não entendo a insistência de Wolfman em manter vivo o insuportável alívio cômico Harold H. Harold), a dupla encontra um bom equilíbrio entre as novas tendências do gênero numa época marcada pelo forte desencantamento político/social pós-hippie e pós-Vietnã (e um conseqüente cinema de horror niilista e mordaz representado por títulos revolucionários como O Exorcista e O Bebê de Rosemary) com um profundo carinho pela estética gótica clássica, particularmente da Hammer Films e do cinema de horror britânico em geral. Os vampiros da série seguem "religiosamente" as regras mais tradicionais: queimam ao Sol, dormem em caixões cheios de terra, se transformam em névoa e morcegos, temem símbolos religiosos, precisam de convite para entrar numa residência, conseguem controlar os elementos e animais inferiores (tipo ratos, morcegos e coxinhas 😝), vêem seres humanos unicamente como presas e, tirando algumas poucas exceções que confirmam a regra, jamais deixam de ser perigosos e assustadores. De fato, a abordagem de Wolfman/Colan deve muito aos filmes com Christopher Lee (ainda que o visual do conde seja mais calcado em Jack Palance na obscura versão para a TV de 1974, de Dan Curtis) mas sem abrir mão da eloquência e sagacidade que marcavam as interações de Drácula com Jonathan Harker nos primeiros capítulos do romance.

E, nesse ponto, devo mencionar um aspecto que me parece uma das mais importantes chaves para o sucesso da série, mesmo hoje, tantas décadas depois. O fato de que Wolfman & Colan jamais nos deixam esquecer de dois pontos fundamentais:


1) Drácula é, sem a menor dúvida, o grande vilão da série, completa e irremediavelmente vil, crápula, megalomaníaco, egocêntrico e sádico, um tipo assumidamente teatral, que esvoaça a capa e dá gargalhada satânica, grandiloquente e maior do que a vida. Mesmo tendo uma ou outra qualidade redentora, nunca é suficiente para redimi-lo. Seu auto-declarado código de honra é distorcido e diretamente proporcional aos seus interesses imediatos, suas ocasionais mostras de simpatia, clemência ou até mesmo afeto tem muito mais a ver com caprichos do que com sentimentos genuínos e podem se transformar em fúria e traição de um segundo para o outro. Jamais confie nele, nunca se identifique com ele, não espere nenhuma atitude que não a mais cruel e mesquinha (como atirar na cara do velho Quincy as cinzas da urna funerária de sua filha!). Drácula é um monstro, do início ao fim, e nunca se esqueça disso.

2) Porém, Drácula é inquestionavelmente o protagonista da série. Os heróis, até os mais interessantes, como Quincy, Raquel ou Blade, nunca deixam de ser coadjuvantes. Drácula é o único personagem que está presente em todas as edições e é em torno de seu arco dramático que todos os demais personagens encontram propósito e motivação, algo que Wolfman utiliza de forma bastante interessante ao abordar o desgaste e a solidão do envelhecido Quincy depois de uma vida inteira dedicada a uma caçada sem fim, ou a crise de Frank Drake que, de forma quase metalinguística, reconhece sua própria falta de profundidade como personagem diante de uma mil vezes mais interessante Raquel Van Helsing (uma forma deliciosamente sacana de Wolfman problematizar um pouco o estereotipado romance herdado das primeiras edições).

Vampiras tocando o terror.
Pode parecer óbvio destacar esse aspecto, mas não quando se pára pra pensar nos quadrinhos de horror da Marvel em geral. É espantoso constatar quão rapidamente os títulos "escorregavam" para o formato super-herói predominante da editora. Em menos de dez edições Motoqueiro Fantasma, o Filho de Satã e até o Lobisomem já estavam trocando porrada com vilões de colante colorido! (aliás, Jack Russell é um lobisomem mais racional até do que o Hulk, chega a ser cômica a insistência dos recordatórios em afirmar sua "selvageria" e "fúria assassina" quando jamais o vemos atacar ninguém que não merecesse 😆). Mesmo nos casos mais bem sucedidos de protagonistas sobrenaturais como, digamos, o Homem Coisa, o Monstro de Frankenstein ou Simon Garth, o Zumbi, o que temos são anti-heróis pelos quais é possível sentir certa simpatia e mesmo torcer por eles, jamais atingem o nível de vilania asquerosa do conde que, pra mim, não parece se encaixar de modo algum na definição de anti-herói.

Drácula vs Dr. Estranho em arte especial de Gene Colan.
Além de tornar as reviravoltas da trama bem mais imprevisíveis, um protagonista assim ajuda muito a série a não perder o foco no horror. Ao contrário, quando o universo Marvel adentra a Tumba na forma de confrontos com o Doutor Estranho e até (pasmem) com o Surfista Prateado, são os super heróis que parecem tragados por uma história de horror gótica e não o contrário. O número 14 do segundo volume de Doctor Strange, onde Wolfman & Colan concluem a história iniciada em Tumba #44, é provavelmente a história mais assustadora já feita com o mago supremo (o tipo de coisa que jamais veremos nos filmes do Benedict Cumberbatch, pode ter certeza). De modo geral, mesmo quando dava um descanso para a temática vampírica principal, a revista se mantinha o máximo possível dentro do território do macabro e do sobrenatural, inclusive não perdendo a oportunidade de explorar o interesse setentista em satanismo e bruxaria, com Drácula em pessoa se tornando o mestre de uma seita satânica no melhor estilo The Satanic Rites of Dracula!

Claro que nem sempre foi possível manter esse equilíbrio delicado entre horror gótico e o impositivo formato de "universo compartilhado" da Marvel. De uma forma ou de outra, a fórmula padrão das revistas da editora acabava percolando, talvez até inconscientemente. Quando menos se espera, lá está o típico super-vilão, Dr. Sun, determinado a roubar os poderes de Drácula para dominar o mundo. Mas, ao menos, Sun não usa um colante colorido (nem poderia 😂) e está mais pra um vilão de pulp fiction do que necessariamente de quadrinhos de super herói, o que não foge tanto da proposta. E Wolfman até que tem umas sacadas interessantes ao colocar leitores e personagens numa incômoda posição entre dois vilões megalomaníacos, tentando decidir, afinal, qual seria o "menos pior" (só acho que o arco se prolonga por mais edições do que deveria).

A arte de Gene Colan em glorioso P&B no segundo
volume de Tomb of Dracula.
O que nos lembra também que, afinal, "forçar" o leitor a assumir posições ambíguas entre a atração e a repulsa pelos mais carismáticos "vilões" (pensem em Dorian Grey, CarmillaHeathcliffMelmoth, Erik, Lady Arabella ou mesmo astros do cinema de horror clássico, como Boris Karloff, Christopher Lee, Barbara Steele, Vincent Price, Peter Cushing, Bela Lugosi, Ingrit Pitt) é justamente um dos pontos mais distintos e interessantes do jogo de texto e subtexto da abordagem gótica, algo que já discuti por aqui em outros posts, particularmente no meu artigo sobre a primeira temporada de Penny Dreadful, que tomo a liberdade de citar: "são os monstros, os vampiros, os vilões, os corrompidos e corruptores (...) que desafiam a lógica estabelecida do mundo, eles que colocam em xeque nossas crenças e valores, que problematizam nossas certezas mais profundas (...) Fingimos torcer pelo restabelecimento da norma, mas na verdade sempre estivemos ali pelo desvio. Ainda que respiremos aliviados quando os "heróis" escapam vivos e o monstro é destruído, nada nos regozija mais do que ver Drácula voltando à vida, emergindo do lodaçal de sangue e cinzas para espalhar o caos mais uma vez."

Precisa dizer o quanto essa abordagem é praticamente oposta à lógica do gênero super heróis? 😉

A série original terminou de forma épica no número 70, uma edição dupla trazendo o "confronto final" de Drácula com seus eternos inimigos. Até onde sei, foi o único título da linha de terror setentista da Marvel a ser de fato "concluída", não simplesmente "cancelada" mas não demorou muito para que o conde retornasse das cinzas num segundo volume de Tomb of Dracula, agora no mesmo formato magazine P&B de Dracula Lives, mas dessa vez não durou muito, apenas seis edições. Depois disso Drácula acabou caindo para a típica posição de "astro convidado sem revista própria" no Universo Marvel, o que no caso do Conde era um pouco mais indigno do que normalmente acontecia com super heróis que tinham seus títulos cancelados: acabou virando mais um vilão disponível no catálogo. Chegou a enfrentar até os X-Men, num anual onde Ororo se transforma em vampira e acaba sendo escolhida como noiva de Drácula! (claro que por pouco tempo). Por fim, numa decisão editorial de meados dos anos 80, toda a linha vampírica clássica da Marvel foi obliterada num longo arco escrito por Roger Stern para a revista mensal do Doutor Estranho.

Última aparição da versão Marvel do Conde Drácula em Doctor Strange #62 (1983) por Roger Stern e Steve Leialoha.
Ainda é uma incógnita se a Coleção Marvel Terror vai chegar tão longe ou se será descontinuada ao fim da série original. Acredito que ao menos a segunda Tomb of Dracula vai chegar a sair, já que a Panini incluiu todas as cinco edições de Giant-Size Dracula e algumas das melhores histórias de Dracula Lives nos volumes publicados. De qualquer forma, ter tido a oportunidade de ler o que saiu até agora, finalmente em português e com todo o respeito e dignidade merecidos, já é mais do que um sonho realizado e a jornada tem sido um verdadeiro deleite para esse lorde velho apaixonado pelo horror gótico old school. 💓

P.S. Quando a coleção estiver completa, volto aqui pra dar uma arrematada no artigo. To be continued...😉

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