sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

As "Franquias" da Hammer Films: A Trilogia Karnstein


Era uma vez... uma série de artigos sobre as "franquias" da Hammer Films. Tinha a do Conde Drácula com o Christopher Lee, a do Barão Frankenstein com o Peter Cushing, e até da Múmia Viva, em suas várias (re)encarnações. O próximo da lista, pela lógica (quantitativa ou qualitativa), deveria ter sido a Trilogia Karnstein, inspirada na obra clássica de Sheridan Le Fanu, Carmilla, e foi aí que a coisa meio que enroscou. Porque no blog já tem um dossiê longuíssimo (e crescente) sobre as adaptações de Carmilla, o que inclui, é claro, o primeiro filme da trilogia, The Vampire Lovers, de 1970, o único a adaptar o livro diretamente. Na época, achei por bem deixar de lado as sequencias, já pensando que faria mais sentido deixar para aborda-las nos artigos sobre a Hammer. Mas depois de dissertar tão longamente por tantas e tantas Carmillas, retomar o tema se tornou um processo bem complicado. E a ironia, é que o que acabou enfim me animando foi justamente ter voltado ao dossiê, cinco anos depois de tê-lo escrito. Na real, eu nunca fiquei muito contente com ele. O escrevi no meio da pandemia, trancado em casa e surtado, numa espécie de brainstorm descontrolado e febril. O que, na época, até valeu a pena, mas foi um parto, e a cria sempre me pareceu um tanto desajeitada e disforme. Assim, recentemente, satisfeito com a quantidade de textos novos que tinha conseguido postar em 2025, resolvi que já era hora de "consertar" o velho dossiê. Se você leu Os Leves Passos de Carmilla - Maratonando as Adaptações do Clássico de Sheridan Le Fanu, saiba que se voltar nele agora, vai encontrar um texto que realmente me orgulho.😊 Bem mais azeitado, atualizado (tem até a versão polonesa da Carmilla agora!😉), e um bocadinho mais refinado. E já que eu estava nesse embalo, por que não arregaçar as mangas e enfim dar continuidade a série das franquias da Hammer?

Mary Collinson e Madeleine Collinson,
(ou seria o contrário🤔)
na mais célebre imagem promocional
de Twins of Evil (1971).
Mas não no mesmo formato. Nos artigos anteriores eu fui bem cartesiano, dissertando filme por filme, e não faria sentido fazer isso agora. Bem ou mal, toda a introdução sobre a "franquia" já está lá no meu texto sobre The Vampire Lovers no dossiê da Carmilla. O papel da Fantale Films, e do roteirista Tudor Gates, na gênese do projeto. As expectativas da Hammer de melhorar o seu potencial competitivo com uma série muito mais "picante", aproveitando o relaxamento geral da censura no período. O impacto de Ingrid Pitt como uma Carmilla bem diferente do livro, mas incrivelmente marcante como uma espécie de contrapartida feminina ao Drácula de Christopher Lee... Enfim, tá tudo (mais ou menos) lá. Assim, eu lhes pediria que dessem uma passadinha no dossiê para se inteirarem do tema, e depois voltassem aqui, pra gente ir direto ao assunto que realmente (me) importa: como Twins of Evil acabou se tornando o filme mais interessante de toda a Trilogia Karnstein.

Notem a escolha de palavras: eu disse "interessante", não "melhor". O melhor, objetivamente falando, é The Vampire Lovers. E não tem como. É o melhor roteiro, o mais redondo, mais coerente, com todas as peças em seu devido lugar, além de ser o único que tem Ingrid Pitt, e não tem como superar isso. Mas Twins of Evil tem aquele tchans que o destaca não só da trilogia, mas da filmografia da Hammer como um todo, especialmente nessa fase setentista, dita como "apelativa" e "decadente", e ajuda a vingar um projeto que, em princípio, até poderia ser considerado um fracasso. Sim, porque a intenção nunca foi fechar uma trilogia, mas sim sustentar uma nova "franquia" que gerasse tantos dividendos quanto o Drácula do Lee ou o Frankenstein do Cushing.

Yutte Stensgaard, fazendo o melhor que
pode, em Luxúria de Vampiros (1971).
Não rolou. Em parte, eu suponho, porque Ingrid Pitt pulou fora logo de cara, insatisfeita com o roteiro da continuação, que inicialmente iria se chamar To Love a Vampire, mas também por ter dado preferência ao papel título bem mais chamativo de Condessa Drácula (ainda que acabasse meio que se arrependendo da mesma forma depois). Não sei se o roteiro que ela leu foi de fato o que foi filmado, mas é realmente difícil imaginar Pitt no papel que acabou ficando para Yutte Stensgaard. Reduzir Carmilla a uma mera serviçal do casal de aristocratas vampiros, vivido por Mike Raven e Barbara Jefford, uma serviçal que, ainda por cima, só começa a se rebelar quando se apaixona por um homem,😱 talvez seja a maior indignidade já cometida contra a legendária Condessa Karnstein (e olha que o páreo é duro), ainda que, sendo justo, isso até possa ter um certo lastro na novela, dependendo da leitura que você fizer de algumas de suas célebres lacunas (mais detalhes no meu texto sobre Rosas de Sangue no dossiê de Carmilla).

De qualquer forma, ouso dizer que se Pitt estivesse no filme a dinâmica provavelmente teria sido outra. Luxúria de Vampiros é uma produção com a maior cara de recauchutada, tipo a "seleção dos reservas", com Yutte Stensgaard no lugar de Pitt, Ralph Bates no lugar de Peter Cushing (que abandonou as filmagens devido ao estado de saúde de sua esposa na época), sem contar o Mike Raven emulando um Christopher Lee genérico até na empostação de voz (que nem era dele, mas do Valentine Dyall, já os olhos injetados de sangue eram do Lee mesmo, extraídos diretamente de Scars of Dracula). O resultado acabou ganhando uma certa notoriedade cult como um dos piores filmes da história da Hammer, ao lado do Horror of Frankestein, também dirigido pelo Jimmy Sangster (coitado, o negócio dele era escrever mesmo😅), e sempre apontado como um "exemplo" do quão "decadente" o estúdio teria se tornado na década de 70. Muito em conta, também, daquela infame entrevista do produtor Michael Style (reprisada em tudo quanto é documentário sobre o estúdio), onde ele explica a suposta "fórmula da Hammer" justamente no set de Luxúria de Vampiros.


Não que eu não prefira rever Luxúria de Vampiros no lugar de boa parte dos lançamentos da Blumhouse, mas não tem como negar que seu "charme" tem muito mais a ver com um "gosto adquirido" pelo metiê habitual da Hammer. Há bons momentos (lindos até), como o Ralph Bates confrontando Mircalla no cemitério enevoado, e revelando ter descoberto que o nome dela é um anagrama da legendária Condessa Carmilla Karnstein (o que, claro, é o oposto do livro, Mircalla é o nome verdadeiro e Carmilla o anagrama, vai entender essa mania de zoar com os nomes, mas pelo menos a cena é bonita). Só que esses momentos nunca parecem chegar a lugar nenhum. E não deixa de ser irônico, para um filme que se propõe a ser tão assumidamente "apelativo" (chega a ser hilário ver aquelas dancinhas sexys das alunas nos jardins do internato, ou as bitoquinhas "sáficas" de Yutte nas suas colegas de quarto, depois de rever, digamos, o Girl Slaves of Morgana Le Fay, lançado na França naquele mesmo ano), que Luxúria de Vampiros seja um filme tão cheio de coitos interruptos! É um vai e vem danado de personagens e situações que mal chegam a se justificar, quase como se Sangster estivesse deliberadamente atirando pra todo lado pra ver se alguma coisa acertava.

O VHS brazuca de Twins of Evil,
que, assim como aquele outro
As Filhas de Drácula, também não tem
Drácula, muito menos suas filhas.😅
Depois dessa, não é de se espantar que Twins of Evil tenha sido concebido no mais puro espírito de vale-tudo. E nem digo pela cara de pau de escalar o primeiro par de modelos gêmeas a sair nas páginas centrais da Playboy e, basicamente, desenvolver o marketing inteiro em torno delas. Nem pela forma como joga fora a continuidade estabelecida, e larga no limbo o óbvio cliffhanger do filme anterior (e ainda bem, aliás, sei lá se eu daria conta de mais uma tentativa de "continuar" o livro😒). Mas pela forma como Tudor Gates aparentemente soltou as rédeas dessa vez e entregou um roteiro muito mais ambíguo e provocativo (ainda que, talvez, mais nas entrelinhas) do que a Hammer estava acostumada a fazer.

Sejamos francos: a Hammer sempre teve um viés meio conservador. Seus vilões, via de regra, são claros e bem definidos. Seus heróis são justos, íntegros e imaculados. Tá certo que os vilões tendem a roubar a cena, mas isso é meio que inerente à própria abordagem gótica. No que se refere às posturas, fica bem claro o lado em que a banda toca. É o herói ateu que descobre a fé enfrentando o vampiro (Dracula has Risen from the Grave), o britânico abnegado que salva os colonos de sua própria barbárie (The Terror os the Tongs, The Stranglers of Bombain), o egípcio diabólico que não consegue entender que o lugar das relíquias sagradas de seu país é no Museu de Londres (A Múmia), ou mesmo Carmilla, corrompendo as mocinhas indefesas com sua sexualidade liberada e exuberante. Um enredo síntese para a Hammer seria algo mais ou menos como The Devils Rides Out, onde a juventude perdida e ingênua sempre precisa ser resgatada das garras da contracultura dos satanistas por aristocratas sábios, bem intencionados e tementes a Deus.

Peter Cushing poderá nos salvar
das forças do mal. Puts! Tâmo fu...😶
Gates sabota esse esquema. Não de forma ostensiva. Mas, conforme você vai assistindo, fica claro que uma certa desorientação começa a se instalar. De cara, temos o Peter Cushing, e os seus puritanos fanáticos, queimando uma pobre infeliz na fogueira por não muito mais que "parecer bruxa", o que o estabelece como um vilão óbvio, e bastante inequívoco, antes mesmo dos créditos iniciais. Porém, logo em seguida, já o vemos confrontando o insidioso Conde Karnstein de Daniel Thomas, e é aí que as coisas começam a ficar interessantes. "Gustav Weil e os seus valentes caçadores de mulheres!" zomba o conde de forma muito acertada, para logo em seguida jogar aos pés de Cushing a camponesa com quem dormia: "Tome, se quer excitação, verá que tê-las é muito melhor que queimá-las". Nesse ponto, a dinâmica já está clara: no impasse entre religião e aristocracia (Weil não pode agir abertamente contra o Conde sem se arriscar a incorrer na fúria do rei), nós, pobres mortais, nada mais somos do que petecas, jogadas de um canto a outro, segundo os caprichos dos grandes e terríveis. E enquanto vemos o duelo se desdobrando entre o fanatismo e o vampirismo, começamos a nos perguntar: Mas esse filme não tem heróis para nos salvar?

Desenhando a situação: Peter Cushing e
Daniel Thomas. É só escolher.😜
Bom, tem. O professor de David Warbeck. A sua irmã boazinha, vivida por Isobel Black. A esposa de Weil, interpretada pela lendária Kathleen Byron. Mas não se enganem. Não há mojo ou potência de vida nessas personagens para fazer frente à intensidade febril de Cushing, ou o magnetismo diabólico de Thomas. Esses sim, legítimos protagonistas. E é fascinante como John Hough permite que a narrativa seja conduzida pela lógica implacável da situação: entre um representante da igreja, por mais fanático e terrível que seja, e um vampiro de sangue azul, que sequer habita os limites da vila, não há de fato uma escolha. A comunidade (e, por consequência, nossos "heróis") simplesmente "precisa" seguir àqueles que, para o bem ou para o mal, ainda fazem parte dela. Pode parecer uma daquelas escolhas reacionárias típicas da Hammer, mas a diferença é que, aqui, Gates e Hough (e Cushing) não facilitam as coisas pra nós. Gustav Weil, mesmo nos seus momentos de fraqueza ou dúvida, nunca deixa de ser um homem monstruoso e assustador, e é comovente o desespero de Warbeck ao se ver reduzido a uma débil, e quase ignorada, bússola moral, fazendo tudo o que pode para, ao menos, tentar direcionar a fúria piromaníaca dos inquisidores contra aqueles que, em princípio, a "merecem".

"Estou te dizendo: vai ser um inferno
viver aqui!
" Madeleine Collinson,
confabulando sobre a vida no campo
com a sua irmã Mary Collinson.
E em meio a tudo isso, é claro, estão as gêmeas do mal. Mary Collinson e Madeleine Collinson, no auge dos seus cinco minutos de fama, e parecendo se divertir no único papel realmente significativo na sua breve, ainda que condimentada, filmografia. É fato que o clichê da "gêmea boa / gêmea má" já era um negócio pra lá de cansativo antes mesmo de 1971, mas, como tudo nesse filme, as coisas não são tão óbvias quanto parecem a primeira vista. Sim, Frieda é "má", tanto que não se incomoda nem um pouco em morder os seios das camponesas indefesas, depois de ser transformada em vampira pelo, também recém transformado, Conde Karnstein. Nem tem escrúpulos em se fazer passar pela irmã quando a sua situação na vila começa a ficar mais complicada. Mas até aí, a indefesa Maria já se dispunha a acobertar as suas escapadas noturnas, mesmo quando isso a levava a apanhar de cinta em seu lugar. Há algo de irritante na resignação submissa, ou mesmo masoquista, na real, com que Maria encara tudo o que lhe acontece. Tipo, é isso o que é... ser "boa"? "Tenho certeza que o Tio Gustav adoraria nos pegar fazendo algo errado, só pra poder nos punir! Ele ficaria excitado com isso!" diz Frieda na primeira noite em que passam juntas sob o teto de seu novo tutor. "Não vou ouvir", retruca Maria, "ele é nosso guardião agora, o que podemos fazer?". "Seu talvez, não meu... não por muito tempo!" declara Frieda. E não tá certa ela?

Por toda a década de 70, a Hammer tentou se reconectar (ou, no caso, seria até melhor dizer conectar) com uma audiência mais jovem. Uma audiência que não estaria mais tão disposta a dar ouvidos àquelas velhas figuras de autoridade que sempre venciam o mal nos seus filmes dos anos 60. O Van Helsing de Cushing, o Duque de Richleau de Lee, o Padre Sandor de Keir. Muitas dessas tentativas foram patéticas. Não porque os filmes em si sejam ruins, adoro o Capitão Kronos, O Circo dos Vampiros e, principalmente, Drácula no Mundo da Minissaia, mas chega a ser impressionante o quão feio todos eles erraram o alvo. Mesmo nos melhores casos, como em O Sangue de Drácula (mais detalhes aqui), a coisa toda ainda soava como uma visão de fora. Um olhar "velho" e condescendente para com essa "garotada de hoje em dia" (até quando os diretores sequer eram velhos). Twins of Evil, decerto, não é exceção, mas quando vemos Frieda se esgueirando escondida sobre as escadarias para ouvir o tio Peter Cushing dissertar sobre a "decadência da aristocracia", e de como "homens e mulheres, nus, realizam rituais pagãos" e "orgias impronunciáveis" no castelo do Conde Karnstein, é impossível não sorrir com ela, e entender exatamente o que passava pela sua cabeça (e da de Gates): "Credo... que delícia!"


Nessa ironia fina (e espertamente dissimulada), Twins of Evil vai se conectando bem melhor com o élan dos tempos do que as habituais tentativas pífias de swingzar a abordagem gótica tradicional do estúdio. Há um entendimento tácito (e cúmplice) de que a gêmea "do mal" é muito mais interessante que a gêmea "do bem" (acho particularmente divertido que Warbeck se apaixone de fato por Frieda, mas meio que se "conforme" a ficar com Maria😅), e que, dadas as circunstâncias, qualquer um de nós, "jovens", iria preferir escapar de uma vida de clausura puritana, especialmente se a alternativa fosse o luxo e a esbórnia, no mais puro hedonismo decadentista. O conde é um vampiro? Ok. É um maldito ególatra? Beleza! Isso provavelmente não vai acabar bem? Decerto! Mas e daí? Gustav Veil é um sociopata! Na real, nunca houve uma saída, seja pra meninas "boas" ou "más". E dessa realização trágica, Frieda, ao contrário de sua irmã Maria, é a gêmea que, ironicamente, faz uma escolha pela vida. Por mais incerta e torta que seja. E é assim que, sub-repticiamente, o filme nos ressoa.

Katya Wyeth, a breve, porém marcante,
Mircalla Karnstein de Twins of Evil,
apresentado as Collinson Twins,
numa imagem promocional que não tem
absolutamente NADA a ver com o filme. 
Claro que nada disso chega a ser desenvolvido a contento. Sequer sai do subtexto. Para isso seria preciso atrizes de verdade, não um par de modelos maltesas de 18 anos, que mal falavam inglês sem sotaque, tendo de ser dubladas em toda a produção. Ainda assim, há algo de hipnótico (e perturbador) na espantosa, e quase sobrenatural, semelhança entre as duas. Madeleine, supostamente, é a "má", e Mary a "boa" (que bíblico, né?😜), mas se elas trocassem em algum momento, duvido que alguém fosse capaz de perceber, e esse fator adicional de esquisitice contribui, de alguma forma, pro estranho efeito que o filme nos causa. É como se (e, novamente, apenas em subtexto) não fossem duas personagens, mas apenas uma, que (como Dorian Gray ou o Dr. Jekyll) se dividisse em duas para escapar da própria vida, sem ter que arcar com as consequências. Mas não é como se essa fosse a intenção, o que talvez teria funcionado melhor com uma só atriz fazendo os dois papéis (como é de praxe nesse tipo de história). É apenas uma... sensação difusa, que vem justamente do fato de sabermos que são duas e, ainda assim, não sermos capazes de diferencia-las.👯‍♀️

Seja como for, é triste que Twins of Evil nunca consiga atingir todo o seu potencial. Tanto nas temáticas, quanto no caráter mais descaradamente exploitation que a Hammer tanto queria vender. É curioso como os materiais promocionais são muito mais apelativos que o filme em si, sendo que (verdade seja dita) as Collinsons provavelmente estariam dispostas a ir muito (mas muito) além disso. Ouso dizer, que poderia ser interessante para levar os subtextos da trama a um outro nível, na falta de maiores recursos dramáticos, mas aí talvez já nem fosse mais um filme da Hammer (ah, se as Collinson tivessem ido parar num giallo, ou quem sabe na França... imagina se tivessem conhecido Jean Rollin?😜). De qualquer forma, é um filme deslumbrante! A direção de John Hough (que nunca fez feio) é suntuosa e extravagante. Cenas como a trevosa ressurreição de Mircalla sobre o altar da camponesa sacrificada são de uma cafonice ultrajante e deliciosa, em contraposição a cafonice apenas brega do Luxúria de Vampiros nos seus piores momentos ("straaaaange love..."). Katya Wyeth, apesar de seu pouquíssimo tempo em tela (ou talvez por causa dele) surpreende como uma Carmilla digna, ainda que hétero.😒 E a trilha... a trilha é simplesmente magnífica!


No fim, nem me espanta que tenha sido Twins of Evil, e não The Vampire Lovers, a ganhar um documentário retrospectivo,👆 que aborda não apenas a Trilogia Karnstein mas até a Carmilla literária e (quase😉) todo o seu histórico de adaptações. É um reconhecimento merecido. A despeito de suas piores falhas, particularmente no terço final (o desfecho indigno e preguiçoso de Frieda é algo que eu aprendi a engolir... mas nunca a me conformar😤), a extravagância sem vergonha de John Hough e do Tudor Gates parece ter força e dignidade o suficiente para justificar uma trilogia, onde, talvez, fosse mais sensato só haver um filme. Não nego. Mas não gostaria de viver num mundo em que Twins of Evil não existisse. E confesso: poucas vezes, na minha vidinha de cinéfilo, fiquei tão sentido com a notícia da morte de uma atriz como quando Madeleine Collinson faleceu em 2014, deixando a sua irmã sozinha pela primeira vez em 62 anos. Eu sei, eu sei... problemático esse lance das audiências meio que condenarem celebridades gêmeas (especialmente as modelos) a, na prática, viverem como siamesas, mas não vou negar que quando Mary finalmente se reuniu a ela em 2021, sete anos depois, não pude evitar um suspiro de alívio...

E não é que a ironia continua? A gêmea do mal se foi primeiro.🥀

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